sábado, 25 de março de 2017

ATO DE DESAGRAVO


Prostrado diante de vós, divino Jesus, na presença de quanto há de mais augusto, no céu e na terra, à vista dos Anjos que vos adoram dos Santos que vos louvam, bendizem e servem; abismado no meu nada perante a vossa augusta Majestade, venho hoje desagravar-vos, do modo que me é possível, de todos os insultos, ultrajes e desacatos que sofreis todos os dias no augustíssimo Sacramento de vosso Corpo e Sangue, maiormente dos que ultimamente sofrestes (lembrar de um lugar em que se cometeu desacato a Jesus eucarístico, ou do desrespeito para com Jesus nas Missas, profanações, sacrilégios, etc.). Ferido de uma viva dor pelas ofensas e injúrias tantas que se cometem contra esse misericordioso mistério de amor, venho, Senhor, em meu nome, e em nome de todos os culpados, com o coração contrito e profundamente humilhado, fazer confissão pública de tantos crimes e iniquidades que a malícia e a ingratidão dos homens contra vós não cessa de cometer, propondo firmemente, Senhor, quanto em mim for, de reparar todas as injúrias de que fomos réus, os desgraçados filhos de Adão.
Oh! Quem me dera que a minha contrição e a dor que sinto fossem tão grandes como o amor! Oh! Por que não se convertem em rios de lágrimas meus olhos pecadores, para chorarem noite e dia as ofensas e desamor de vossos filhos, e de mim em particular, talvez de todos o mais culpado! Ah! Mesquinho de mim, que não tenho o zelo dos Apóstolos, o valor dos Mártires, a pureza das Virgens, e o inflamado amor dos Querubins para reparar todos os desacatos que tendes recebido!
Oh! Quem me dera puder regar com minhas lágrimas, e lavar com meu sangue todos os lugares santos em que vosso santíssimo Corpo foi desacatado!
Perdoai, amabilíssimo Jesus, o pouco respeito e irreverências, sacrilégios que contra vós se têm cometido no adorável Sacramento de nossos Altares, desde que, pelo grandíssimo excesso de vosso amor, vos dignastes de instituí-lo para memória de vossa paixão e santificação de nossas almas.
Perdoai, Senhor, nossa tibieza, nossa insensibilidade, e nossas dissipações, na presença de vossa augusta Majestade.
Perdoai, amabilíssimo Jesus, o pouco respeito e talvez a ostentação e hipocrisia com que venho a vosso divino banquete; a pouca disposição, nenhuma preparação com que comi o pão dos anjos, o maná dos escolhidos, e o alimento dos fortes. Sua força foi para mim fraqueza, e, em vez de receber o penhor da vida eterna, comi a condenação e a morte...Confundido no meu nada, horrorizado de meus tão feios crimes, quisera esconder-me de vós, como o primeiro culpado; porém, onde irei que não me vejais? Ouço, Senhor, a vossa voz que desse novo propiciatório me chama; voz mais suave que a que disse a Adão: “Onde estás?”; voz de pai compassivo, que abre os braços ao filho ingrato que julgava perdido, e que me diz: “Filho, dá-me teu coração”. Ah! Senhor e Pai meu, aqui o tendes, manchado pela culpa, desfigurado pela ingratidão, mas contrito e humilhado; abrandai-o, Senhor, como a fresca cera, acendei-o no fogo da caridade, e fazei que sempre arda como o de Agostinho. Sois a fonte da graça e da misericórdia, dai-me o dom da penitência e de misericórdia, dai-me o dom de paciência, a abundância das que destes a Davi para que eu possa fazer-vos uma reparação solene, sincera, cabal e digna de vossa Majestade agravada. Tornai eficaz pela vossa graça o desejo ardente que tenho, a firme resolução em que estou de vos amar constantemente e de vos adorar sem interrupção nesse eucarístico Sacramento de vosso amor.
Protesto, Senhor, que não faltarei jamais ao respeito que por tantos motivos vos é devido; prometo fazer todos os esforços, para procurar a vossa maior glória por todos os meios que estiverem ao meu alcance, e em todos os lugares em que isto me seja possível. Zelo ativo e incansável, conselhos saudáveis, exemplos persuasivos, tudo empregarei para fazer amar, acatar adorar o Deus de bondade e de misericórdia que repousa em nossos Altares.
Ó Deus, todo amor, todo caridade! Derretei o gelo de nossos corações; corações que, se vos amarem, não serão capazes de vos ofender; abrasai-os com o fogo sagrado de vosso amor; fazei deles um holocausto digno de vós. Sois o Pontífice da Caridade, reinai em nós. Não se afastem nunca de vós nossos corações, sejam todas nossas afeições reguladas pelas vossas; sejam nossos desejos, pensamentos e ações conforme aos vossos.
Fazei, meu bom Jesus, que não vivamos, nem respiremos, nem morramos senão em vós e por vós; sois nosso Deus, nosso Pastor, e nosso Pai; sede nossa alegria, nossa recompensa e nossa bem-aventurança no tempo e na eternidade. Amém.


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